Antônio Domakoski

(*Curitiba, PR, Brasil, 1917 / +Curitiba, PR, Brasil, 1999)

Antônio Domakoski nasceu em 1917, na Colônia Santo Inácio, em Curitiba, próximo ao Parque Barigui. Filho de Joseph Domachowski e Julia Kureski, lavradores poloneses, trabalhou duro na roça e em açougues da cidade e se destacou na política. Enquanto o pai trabalhava na lavoura, a mãe ia de carroça para a cidade vender lenha para ajudar no orçamento familiar e no sustento dos nove filhos.

Com 6 anos de idade, Antônio começou a estudar no Colégio de Orleans, que era dirigido por freiras. Para ir à escola, precisava andar a pé por uma hora e meia, atravessando várias chácaras. Caso se atrasasse, ficava de castigo ajoelhado em cima de grãos de milho. Frequentou a escola até fazer a Primeira Comunhão, não terminou o ensino primário.

Aos 8 anos, começou a trabalhar em uma olaria para ajudar seus pais no orçamento familiar, já que não obtinham muito lucro da lavoura. Na época, ganhava 500 réis por dia, em um trabalho muito sujo e pesado.

Mais tarde, com 10 anos, foi trabalhar em um açougue na Rua Comendador Araújo como faxineiro. Tinha a obrigação de levar os dois cavalos do local para pastar na chácara de seus pais. No dia seguinte, tinha que acordar às 2 horas da madrugada e procurar os cavalos deixados no pasto. Montava em um dos cavalos, o outro era puxado, pois tinha que estar no serviço às 5 horas da manhã. Uma vez por semana, com os restos das carnes do açougue, fabricavam salsichas, vendidas por Antônio pela cidade. Com os dois animais atrelados, ele saía para vender os produtos, começando na Rua República Argentina e terminando em uma fábrica de palhões em Thomaz Coelho, no município de Araucária.


Audiência com o Governador Moisés Lupion

Seu emprego seguinte também foi em um açougue, dessa vez localizado na Rua Saldanha Marinho. Era um trabalho árduo, trabalhava todos os dias por 16 horas, tendo folga somente aos domingos e após as 15 horas. Com apenas 16 anos, tinha a missão de ir com uma carroça até o matadouro municipal buscar carne de dois bois, que também eram abatidos aos domingos. O caminho era sofrido, pois encalhava várias vezes até chegar ao destino.

Saiu do açougue e foi trabalhar em uma padaria na Rua André de Barros. Apesar de o serviço ser mais leve, acordava às 3 horas da manhã todos os dias para fazer a entrega de pães pela cidade, a pé. Uma vez por semana, ia até a chácara que ficava no Seminário para carpi-la. Escondia bolachas nos bolsos e, quando foi descoberto, recebeu um “puxão de orelha”.

Mais tarde, foi trabalhar no Açougue Garmatter, na Rua José Bonifácio, onde ficou por seis anos. Foi convocado para servir no 15.º Batalhão de Caçadores (BC), na Praça Rui Barbosa, mas continuou no emprego com o consentimento do patrão. Para isso, levantava às 2 horas da manhã para desmanchar 28 quartos de bois. Às 6 horas, já deveria estar uniformizado no quartel para a prática de ordem unida, até às 10 horas. Então retornava ao açougue, onde era caixeiro.

Em 1947, abriu seu próprio negócio, o açougue Beira Mar, em sociedade com um grego. No 1.º mês, tiveram um lucro de 7 contos de réis, dividido entre os dois. Mesmo assim, já estava melhorando de vida e se estabelecendo.


Visita da comitiva polonesa

Antônio conheceu a esposa, Henriqueta Domakoski, em uma missa de domingo na Igreja de Santo Estanislau. Casaram-se em 1950 e viajaram para Cabeçudas, em Santa Catarina, para desfrutar de sua lua de mel. Tiveram dois filhos, três netos e três netas. O filho, Marcos, é engenheiro, administrador e professor. A filha, Jocelia, é formada em Administração de Empresas, trabalhou por anos na Câmara Municipal de Curitiba, onde se aposentou, e por oito anos foi Vogal da Junta Comercial do Paraná.

Em 1954, o então governador Bento Munhoz da Rocha nomeou Antônio subdiretor de trânsito, na época, um grande cargo. Mais tarde, passou a diretor de trânsito.

Foi eleito vereador em 1956 e dois anos depois atuou como prefeito interino de Curitiba. Seus passos na vida pública indicavam que a cidade estava diante de um político singular. Ter sido o vereador mais votado de Curitiba duas vezes e ter presidido a Câmara de Vereadores confirmou que a aposta estava certa. Em um dos pleitos, teve 198 votos dos 200 eleitores que votavam no bairro Campo Comprido.

Em seus mandatos como vereador, trabalhou em especial pelo desenvolvimento da infraestrutura dos bairros Bigorrilho, Campina do Siqueira, Mossunguê, Campo Comprido e Orleans, e homenageou dezenas de descendentes de poloneses, denominando importantes ruas e avenidas da cidade com seus nomes.

Certa vez, foi à casa de Ney Braga pedir a sua esposa que fornecesse uma foto dele. Imprimiu milhares de selos com os dizeres: “Futuro Governador do Paraná”. O público aceitou e Braga lançou sua candidatura a governador. Mais tarde, para surpresa de Domakoski, foi eleito, em 1960.

Depois, levado por diversas circunstâncias, Antônio voltou-se basicamente ao comércio, deixando fortes marcas positivas na cidade. Mesmo fora do legislativo, continuou sendo uma referência na cidade, dono de bons conselhos e voz sapiente em temas de Curitiba.

Em 1960, em viagem à Polônia, o casal Domakoski entrou em uma igreja para encomendar uma missa. Foram atendidos por um sacerdote muito simpático, que depois da missa os convidou para tomar um suco. Era Karol Wojtyla, futuro Papa João Paulo II, que iniciou amizade e troca de correspondência com os Domakoski.


Visita do bispo polonês

Participou ativamente da construção da Praça da Polônia, ao lado do Hospital São Lucas, na década de 1960, e depois na sua transferência para o atual local, no Cristo Rei. Foi o mentor e inspirador do Bosque do Papa, construído na gestão do prefeito Jaime Lerner, em 1980, e da construção da polêmica estátua em homenagem a Joao Paulo II.

Para o projeto do monumento, foi pedir autorização do Arcebispo de Curitiba. Foi então formada uma comissão com seu filho Marcos, Guilherme Braga, Padre Benedykt Grzymkowski e Antônio Carlos Romanoski. Em pouco tempo, inauguraram a estátua, no dia 16 de outubro de 1981, que acabou recebendo muitas críticas na época. Foi o primeiro monumento ao Papa polonês erguido no Brasil. Ele está exposto no Bosque Papa João Paulo II, no bairro Centro Cívico, em Curitiba.

Antônio recebendo prêmio na Câmara Municipal

Antônio Domakoski recebeu, em 1968, em Roma, a Medalha do Mérito por seu trabalho em prol da Igreja Católica. Em 1970, recebeu a mais alta condecoração do governo da Polônia por serviços prestados à comunidade polonesa do Paraná e, em 1980, recebeu o titulo de Vulto Emérito de Curitiba da Câmara Municipal.

Teve seu nome perpetuado em uma importante avenida que liga o Bacacheri ao Jardim Social. A Rua Vereador Antônio Domakoski foi denominada em 2004 pelo prefeito Cassio Taniguchi, deixando registrada a importância de Antônio Domakoski na história da cidade de Curitiba.

Antônio e o Prefeito Taniguchi

 

Texto autobiográfico escrito por Antônio Domakoski.

Editado por Thaisa Socher.

Colaboradores: Marcos Domakoski.

 

Referências
MALCZEWSKI SChr, Zdzisław. Marcas da presença polonesa no Brasil. Varsóvia: Biblioteka Iberyjska, 2008. p. 171. Disponível em: https://polonicus.com.br/arquivos/slady.pdf. Acesso em: 6 set. 2024.