Padre Jakub Wróbel
(*Jasionka, Polônia, 1860 / +Pensilvânia, EUA, 1935)
Jakub Wróbel nasceu em Jasionka, na região polonesa da Galícia, em 14 de julho de 1860. Cursou o Ginásio (atualmente, anos finais do Ensino Fundamental) em Jaslo e fez Filologia na Universidade Jaguelônica (Uniwersytet Jagielloński), em Cracóvia. Em 1887, trocou o curso universitário pelo seminário em Przemyśl. Foi ordenado padre em 1891. Como sacerdote, lecionou religião e trabalhou em várias paróquias até agosto de 1896, quando atendeu à convocação do bispo local e se inscreveu na lista de voluntários para pregar o evangelho aos colonos poloneses no Brasil.
Já no Brasil, assumiu a capela de Água Branca, em São Mateus do Sul, em outubro de 1896. Entre 1897 e 1900, respondeu também pelas capelas de São Mateus, Rio dos Patos, Santa Bárbara e Cantagalo. Na Água Branca, montou uma escola para os filhos dos colonos e mobilizou a população para a conclusão da construção da igreja (que existe até hoje). Trabalhou ativamente na obra da torre, na decoração interna e trouxe da Europa os quadros e imagens que ornamentam a capela.

Wróbel investiu fortemente em educação. Além da escola em Água Branca, criou outras em várias colônias para os filhos dos imigrantes e, nesse processo, contou com o apoio de um grupo de religiosas. Registros históricos mostram que o padre era dotado de uma inteligência extraordinária e que dominava pelo menos sete línguas: polonês, alemão, latim, grego, português, inglês e russo. Estudava Astronomia e, até mesmo, construiu um globo celeste e instrumentos para medir a posição das estrelas. Durante as missas, explicava conceitos astronômicos para os colonos, alterando o sentido dos quadros da via-sacra e das procissões, para que todos se lembrassem de que o Sol faz trajetos diferentes nos hemisférios Sul e Norte.
Jakub Wróbel trabalhou arduamente para erradicar o alcoolismo e combater a bruxaria e o satanismo. Em 1899, o pároco de Palmeira foi destituído pelo bispo por ser maçom, e acabou confiscando as chaves de uma das capelas dos imigrantes poloneses. Para resolver a situação, Wróbel comandou um grupo de 50 poloneses para recuperar as chaves da igreja de Palmeira. No mesmo ano, o padre comandou uma procissão para Curitiba com colonos de várias localidades e pregou na catedral por três dias, enfrentando claramente a maçonaria.

A rivalidade com a maçonaria gerou oposição ao padre na própria comunidade. Em 1914, durante a Festa de Purificação de Nossa Senhora, padre Wróbel resolveu realizar um teatro. Para isso, foram confeccionadas roupas para São José, Maria, Menino Jesus e outros personagens. A programação previa uma procissão que daria a volta na capela, mas, seus inimigos organizaram uma procissão no sentido contrário. Quando os dois cortejos se encontraram, iniciou-se uma troca de ofensas e, as velas, que pesavam cerca de um quilo, foram usadas como porretes em uma pancadaria generalizada. O padre escondeu-se na sacristia, mas muitos saíram machucados.

Após esse episódio, o padre recebeu um aviso em tom de ameaça: “Saia do Brasil!”. Wróbel foi para os Estados Unidos e atuou em várias paróquias na Pensilvânia. Faleceu no dia de Páscoa, em 21 de abril de 1935, após ser tomado por uma forte pneumonia. Deixou um extenso manuscrito sobre Astronomia. Sua morte foi noticiada por vários jornais americanos, já que era considerado um homem santo pela população local.
Texto: Gerson Cesar Souza
Edição e revisão: Thaisa Socher
Coordenação: Schirlei Mari Freder
